Reboco: porque é que uns fissuram em dois anos e outros duram décadas
Passamos pela mesma casa dez anos depois e o reboco está intacto. Ao lado, uma obra recente já tem a fachada aranhada de fendas finas. Não é sorte nem é o cimento que "já não é o que era". Um reboco que dura faz-se de decisões simples, tomadas na altura certa, e é quase sempre a pressa que as estraga.
Um reboco não fissura por acaso
O reboco é a camada de argamassa que reveste a parede, protege a alvenaria da chuva e deixa a superfície pronta para pintar. Parece o trabalho mais simples da obra, e é por isso mesmo que é dos que mais correm mal. Quando um reboco fissura cedo, quase sempre a causa está numa de quatro coisas: o suporte onde assenta, o traço da argamassa, a espessura a que foi aplicado e a forma como secou. Vamos por partes.
Tudo começa no suporte
O reboco só é tão bom quanto a parede por baixo dele. Se a alvenaria está com pó, muito seca a sugar a água da argamassa, ou se junta dois materiais diferentes, como tijolo e betão, sem cuidado, o reboco não tem onde agarrar bem e vai trabalhar contra si próprio.
- Limpeza e humedecimento: a parede tem de estar limpa e ligeiramente humedecida antes de receber a argamassa. Uma parede seca demais rouba a água ao reboco e este perde a cura antes de ganhar resistência.
- Chapisco ou salpico de aderência: uma primeira camada fina e rugosa, atirada à parede, cria a "pele" a que o reboco se vai colar. Saltar este passo é dos erros mais comuns em quem tem pressa.
- Encontros entre materiais: onde o tijolo encosta ao betão ou à estrutura, os dois movem-se de maneira diferente. É aí que a fissura aparece primeiro se não houver reforço.
O traço certo, nem forte nem fraco demais
Há quem pense que quanto mais cimento leva a argamassa, mais forte fica. É o contrário do que interessa num reboco. O excesso de cimento faz a argamassa retrair muito ao secar, e é essa retração que puxa a superfície e a racha. Falta de cimento, por outro lado, dá uma argamassa fraca, que não agarra e se esfarela.
O ponto certo é uma argamassa com a dose de ligante equilibrada, com areia limpa e bem graduada, e água q.b., sem afogar a mistura. Água a mais parece facilitar o trabalho no momento, mas aumenta a retração e a fissuração depois. Uma boa parte das fendas finas que se veem numa fachada nasce simplesmente de argamassa amassada com água a mais.
Espessura: por camadas finas, nunca tudo de uma vez
Este é o erro que mais fissuras provoca e o mais fácil de evitar. Uma parede muito desalinhada tenta-se corrigir de uma só passagem, com o reboco a três ou quatro centímetros de espessura. A camada grossa seca por fora e fica húmida por dentro, os movimentos são desiguais e a superfície abre.
- Camadas de 1 a 1,5 cm de cada vez. Se a parede precisa de mais espessura para ficar a prumo, faz-se em duas ou mais passagens, e não numa só.
- Tempo de espera entre camadas. Cada camada tem de firmar antes de receber a seguinte. Como regra de terreno, contamos vários dias entre passagens; forçar a segunda camada sobre a primeira ainda fresca é meio caminho para fendas e descolamento.
- Superfície regular. Uma parede muito torta resolve-se com paciência e camadas, não com uma barrela grossa de argamassa que promete rachar.
A cura é onde se ganha ou se perde
Depois de aplicado, o reboco precisa de manter humidade durante alguns dias para o cimento fazer presa como deve ser. É a parte que ninguém vê e que decide quase tudo. Se o sol bate direto na parede, ou se o vento seca a superfície depressa demais, a água evapora antes de a argamassa ganhar resistência, e o resultado é a chamada fissuração de retração: aquelas fendas finas, em rede, que aparecem nas primeiras semanas.
- Rebocamos de preferência a horas de menos calor e protegemos a parede do sol direto e do vento sempre que possível.
- Em dias quentes e secos, molhamos ligeiramente o pano de parede nos dias seguintes à aplicação, para a cura não ser interrompida.
- Evitamos rebocar com geada, com chuva forte ou com a parede a escaldar. O tempo manda mais na obra do que a agenda, e vale a pena respeitá-lo.
Juntas e reforços onde o reboco sofre
Há pontos da parede que trabalham sempre mais e que, por isso, é onde a fissura teima em voltar mesmo com tudo o resto bem feito: os cantos de portas e janelas, os encontros entre materiais diferentes e os panos de parede muito compridos.
- Rede de reforço: nos cantos de vãos e nas juntas entre materiais aplicamos uma rede própria embebida na argamassa, que distribui as tensões e impede a fenda de arrancar num ponto único.
- Juntas em panos grandes: em fachadas extensas prevêem-se juntas para acomodar a dilatação, em vez de deixar a parede fissurar sozinha à procura de onde aliviar.
- Cantos e arestas: um perfil de canto bem colocado protege a aresta e mantém a linha direita ao longo do tempo.
Então porque é que uns duram décadas
Não há segredo nem produto milagre. O reboco que ainda está intacto ao fim de vinte anos foi aplicado sobre um suporte limpo e preparado, com uma argamassa bem doseada, em camadas finas com tempo entre elas, curado sem pressa e reforçado nos pontos que sofrem. O que fissura em dois anos saltou um ou mais destes passos, quase sempre para poupar um ou dois dias de obra. Esses dias voltam sempre a cobrar-se, e mais caro, quando é preciso picar e refazer.
É por isto que, quando pedimos mais um dia antes de avançar, não é para atrasar a obra. É para não a ter de fazer duas vezes.
Quer um reboco que aguente o tempo?
Fazemos rebocos, salpicos e acabamentos em Vila Nova de Gaia, Porto, Espinho e Santa Maria da Feira, para construtores e particulares. Marque uma visita ao local sem custo, vemos a sua parede e dizemos-lhe com franqueza o que a obra precisa. Ligue 917 893 080 ou peça orçamento em preambuloobjetivo.pt.
Pedir uma visita ao local